Paulicéia Desvairada Resenha

Paulicéia Desvairada: O Grito da Liberdade Poética

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Credits Viaje com Zélia com auxílio de AI

Na noite de 15 de fevereiro de 1922, sob aplausos e vaias, Mário de Andrade subiu ao palco do Teatro Municipal em São Paulo para apresentar pela primeira vez o poema Ode ao Burguês, a sua primeira obra modernista, que mais tarde seria parte fundamental da coletânea de poemas modernistas escritos entre dezembro de 1920 e dezembro de 1921.

O livro Paulicéia Desvairada foi publicado no mesmo ano, reunindo os 22 poemas marcadamente modernistas de Mário, bem como o Prefácio interessantíssimo, escrito e assim nomeado pelo autor. Já no início do prefácio, Mário determina a fundação do Desvairismo, ou seja, a ideia de liberdade criativa na poesia, rompendo com a “ditadura” estética do parnasianismo. Na sequência, Mário manda um recado importante para o leitor “este prefácio, apesar de interessante, inútil”. Então, entre observações certeiras e tom debochado, Mário segue a sua “conversa” com o leitor, abordando os muitos temas que permearam as suas ideias e devaneios para escrever a coletânea de poemas apresentada na sequência. Inútil, discordo. Interessantíssimo, sem dúvida!

Dentre os poemas que compõem a coletânea, Ode ao Burguês merece destaque especial, pois além da profundidade de suas palavras e da crítica social que o acompanha, foi o poema escolhido por Mário para se apresentar no palco do Teatro Municipal, cuja reação do público presente se dividiu entre palmas e vaias, gerando muito burburinho na ocasião. Mas, além do polêmico Ode ao Burguês, também vale destacar outros poemas que compõem Paulicéia Desvairada, como Os Cortejos e Ruas de São Bento, que retratam a transformação que a cidade de São Paulo estava sofrendo no início do século XX com o seu processo de urbanização, recheados de duras críticas ao convencional. Encerrando o livro, o poema As Enfibraturas do Ipiranga, o mais longo de todos, revela-se um desafio para o leitor, tamanha a sua complexidade lírica, com a forma de um oratório profano, como o autor o define. Porém, o desafio é recompensado pela mensagem que Mário transmite através das muitas vozes evocadas em uma São Paulo em transformação.

Mas, independentemente do valor histórico ou acadêmico, o nosso próprio gosto particular merece ser destacado. Eu, por exemplo, tenho preferência pelo poema Inspiração, que abre o livro dando uma magnífica ideia dos contrastes encontrados em uma São Paulo em profunda transformação. E qual o seu poema favorito dentre os 22 que compõem Paulicéia Desvairada?

Participe do nosso workshop online no dia 22 de agosto e nos conte sobre a sua escolha!